brasil sem gosto

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checho gonzales tem quase 50 anos de idade e em torno de 4 a 5 falências no currículo de sua carreira de mais de 30 anos. é o primeiro a admitir seus próprios fracassos e hoje comanda um dos negócios mais simpáticos do brasil, a comedoria gonzales, que tem sua cara e um sucesso inquestionável, em um ramo onde a mera sobrevivência é cada vez mais difícil. temos muito a aprender com a evolução de sua trajetória.

mas infelizmente o cada vez mais famigerado jornalismo gastronômico parece não se importar com as derrotas da área. prova disso é a recente (segunda) falência de alberto landgraf, que foi celebrada como vitória pela folha de são paulo.

alberto landgraf é um dos chefs que mais se importa com excelência de ingrediente e produto. tinha um restaurante de cozinha de autor que se não era lá grande coisa por outro lado sempre deu um cacete na bosta do dom, por exemplo. não seria mais interessante apontar os erros de condução dos seus negócios? não pra folha de são paulo.

outro que faliu pela segunda vez foi o bom cozinheiro diego belda, (ex) proprietário de um dos restaurantes mais irregulares de são paulo, talvez pela falta de movimento. mas o caderno paladar preferiu destacar seu novo projeto, que consiste em abrir outra coisa numa pequena cidade do interior. pra mídia, a festa nunca termina.

mas nada se compara ao tipo de atenção dado ao brasil a gosto, restaurante com movimento ridículo desde sua inauguração, cujo tamanho do provável prejuízo é um segredo tão bem guardado quanto o mistério de quem pagou pelo capricho da casa de boneca sem pé nem cabeça de ana (magazine) luiza trajano por tanto tempo.

o brasil a gosto faliu em dois tempos. primeiro fechou no período do almoço, pra atender pequenos grupos fechados. depois no jantar, para o mesmo fim. claro que a imprensa preferiu apontar para os novos planos da filha da poderosa vendedora de eletrodomésticos que mostrar seus erros, que não foram poucos, a começar pela catastrófica comida servida, que aterrorizou a cidade com uma instalação de pirarucu com folha de bananeira que atingia 7.9 na escala romero brito de surrealismo brega. pra completar o circo armado, enaltecem a bagatela dos 512000 reais captados pela ~chef~ por uma lei de incentivo para a confecção de mais um brinquedo, um livrinho de receitas. o que deveria ser denúncia social, se torna mera notinha festeira. ana magazine se tornou a claudia leite da gastronomia, mas ninguém parece se importar com isso.

ora, bolas. se um restaurante fecha, não é por briga de sócios ou por mudança de planos de negócios. salvo raras exceções, o lugar simplesmente faliu. e maquiar o fato é um desserviço ao leitor.

e é por isso também que esse edifício vem sendo construído. para mostrar que a vida é muito mais que essas pequenas vitórias ilusórias que tentam lhe empurrar güéla abaixo. é preciso existir um contraponto a esse mundinho teletubbie.

porque de gente feliz já basta aquele velho comercial de margarina.

 

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