são paulo 1 X atlético 0

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acho que já se vão uns 6 meses morando no centro e ainda não instalei televisão, essa que não tem feito lá muita falta. a não ser na hora do futebol, especialmente nos jogos do são paulo na libertadores. minha preferência é ver jogo pela tv e sozinho, sem ninguém falando merda ao lado. na impossibilidade disso, tenho acompanhado a gloriosa campanha do tricolor no boi na brasa mesmo. batata portuguesa e chopp ordinário na caneca de alumínio mordida por travesti acompanham. tá de bom tamanho.

acontece que fazia muito tempo que não via o souza, amigo de longa data. então fui ao veloso, bar que estimo de coração não é de hoje. não me importo com a ampliação do lugar, até porque uma das poucas certezas que tenho na vida é a de que jamais entrarei naquele anexo que mais parece a praça de alimentação do shopping santa cruz.

fato é que o veloso old school continua ótimo e agora até fritam um gostoso torresmo de pele na hora. a caipirinha de limão com gengibre segue como uma das minhas preferidas e souza ainda teve a manha de me oferecer outra com physalis e manjericão. barman ideal é aquele que te faz se sentir em casa.

jogo próximo das 22h, cheguei antes das 20h, pra pegar lugar no balcão e botar o papo em dia. o bar continua com mais gente que eu gostaria, mas estava com o espírito preparado pra isso. enquanto mandava um bom pastel de carne liberaram mesa pra mim, de frente pra televisão. como já tava quase na hora do jogo, não marquei. bunda na cadeira de frente pra mesa, um olho na tv e outro no balcão.

a famosa coxinha não pedi, não. esse foi meu patético protesto silencioso do dia em relação ao agitado momento político sobre o qual não cabe maior manifestação nesse site.

joguinho marrento e feio, como esperado. o futebol brasileiro nunca mais será como antes. mando mais dois ou quatro chopps na taça rabo de peixe, que lá é lugar pra isso. só por não ter nenhum cervejeiro artesanal ao meu lado já vale o programa.

essa cadeira tá vazia? sentado sozinho em uma mesa pra quatro lugares respondi que sim. em menos de um minuto me vi acompanhado por mais três moças que dividiam uma pitoresca sakerinha de jabuticaba. reclamaram da quantidade de gelo no drink e pediram mais sake. fim do primeiro tempo e as coloquei em meu campo de visão pra contemplar o show do intervalo, quando pediram a conta e reclamaram da dose de sake marcada a mais, até que uma lembrou da possibilidade de não pagar o serviço.

o horror! o horror!

por sorte uma bondosa alma involuntariamente cedeu lugar no balcão pra onde me refugiei, sentando em um dos dois bancos que deveriam me pertencer por direito. não me despedi das moças, não rolou nem um tchau querida. mera questão de incompatibilidade de gênios. creio que não farei lá muita falta em suas vidas também. tudo certo.

próximo do fim michel bastos carimbou nosso triunfo com um belo gol de cabeça que lembrou a boa fase do saudoso lugano, esse que inclusive jazia no gramado, tal como espírito lucius. nada que eu não espere de um time que tem no elenco um jogador denominado como alan kardec.

qualquer hora dessas retorno ao veloso, com honra e prazer. mas ali é bar pra chegar na hora do abre, quando é possível encostar no balcão com tranquilidade e contemplar o reflexo do por do sol nos belos paralelepípedos da formosa rua onde o bar se instala.

que venha o jogo de volta e o boi na brasa que me aguarde.

vai faltar caneca.

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