modern mamma osteria

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houve um tempo em que tinha mais tolerância com aquele pedaço do itaim, sudoeste da grande moema. na hora do almoço mesmo, não saía da casa de vito simone, o saudoso fornaio d’italia, onde fiz refeições memoráveis. tenho lembrança afetiva especial da língua e muita saudade da ótima dobradinha, essa que era servida sem linguiça e sem feijão, porque não é feijoada!, dizia o cozinheiro.

então foi com certo saudosismo que hoje fui conhecer a osteria de dois grandes chefs de cozinha, instalada no mesmo lugar. a primeira coisa que chamou a atenção foi a imponência arquitetônica edificada no logradouro. até aí tudo bem, pois o novo comércio leva modern no próprio nome. porém desejo de coraçã0 que elevem o nível da playlist, pois o som que sai das caixas remete a programação da jovem pan fm.

admito que fiquei um pouco chateado com os preços praticados na carta de vinhos, que tá mais pra ristoranti que pra osteria. entendo que o custo da operação seja naturalmente alto, mas esperava algo mais simpático. assim como queria também que o negroni de 32 golpes não viesse com uma enorme e tosca fatia de laranja pêra, pois já passamos da época da coquetelaria rasgueira arcaica. por fim, a oferta de cervejas também é péssima. o problema imagino que nem seja o contrato com a ambev, mas sim o que a multinacional sugere que você venda. acontece que o cliente bebedor não tem nada a ver com isso.

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a primeira impressão é que a modern mamma osteria não é um bom lugar para beber, pelo menos por enquanto.

agora, à comida. um dos chefs da casa já fez história nessa própria rua, ao oferecer culinária italiana razoável por preço acessível numa época em que a oferta de massas e afins era bem mais pobre que hoje. eu sei que mesmo atualmente é difícil sair pra comer macarrão, mas garanto aos mais jovens que há mais de uma década a tarefa era ainda mais ingrata.

a focaccia assada na hora é muito boa e pode ser pedida no lugar de uma das entradas, cujos altos preços desanimam um tanto, embora a berinjela à parmigiana seja muito gostosa – apesar do excesso de queijo – e possa ser compartilhada por afegãos de apetite médio. a carne crua também vale a pena e vem com umas chips da hora.

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provei dois pratos principais: um equilibrado amatriciana com fonduta de pecorino e uma lasanha impecável. uma curiosidade é que não reconheci a assinatura de salvatore loi em nada que vi no cardápio, nem que comi. mas o outro sócio, paulo barros, tava lá com a barriga no fogão, tal como no auge do due cuochi, que segue do outro lado da rua, sei lá como.

embora o gosto de café esteja pouco pronunciado no tiramisú, a sobremesa é leve, saborosa e o menor tamanho pode ser compartilhado por duas pessoas. aqui é justo mencionar que toda comida que pedi veio em porções generosas e que é um caro pesadelo logístico mesmo manter um restaurante desse porte no itaim bibi. inclusive o modelo do negócio cabe bem nesse canto que nunca me pertenceu. o fornaio era ponto fora da curva, assim como é o glorioso botequim do hugo.

o problema não é o bairro, o problema sou eu.

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café ok, a conta e a conclusão de que paulo barros está fazendo o melhor que pode, servindo boa comida com sua assinatura. nesses tempos sombrios de brotinhos e afins esse tipo de honestidade – que deveria ser obrigação – é mais que bem vindo, é necessário.

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