dois bucho

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quem me acompanha há algum tempo sabe que tenho obsessão por bucho, a ponto de vir de uma família de bucheiros. passei a adolescência vendendo miúdos durante o dia e os comendo à noite. a dobradinha da minha mãe levava também paio, linguiça, costelinha de porco fresca, tomate e feijão branco. se ficava uma semana sem fazer, mordia o braço esquerdo dela. mais pra frente me viciei na versão italiana, só com tomate. aprendi a comer assim com vito simone, depois passei a comer no attimo – na fase do jeffinho rueda – e atualmente, quando estou com vontade, encomendo com a talitha, que compra o miúdo no açougue do bairro, nada menos que o beef passion. claro que saber trabalhar o produto é essencial e ela assim o faz com esmero, talento e técnica. tanto que indico a encomenda.

já a buchada de bode conheci na rua, entre uma casa do norte e outra. apesar de toda a força do sabor, nunca fui muito chegado na iguaria, que cheguei a comer também em boas casas de família no sertão nordestino. sempre achei mais forte que bom.

sarapatel de porco? comecei a comer em casa também. minha velha dizia que se não tem sangue, não é sarapatel. se tivesse gravado a declaração, levaria o cassete pro rodrigo oliveira ouvir. quem sabe assim ele não mudaria o nome daquilo que vende no mocotó, pra quem sabe picadinho rasgueira de miúdos?

daí que costumo ir quase todos os começos de noite de segunda no tabuleiro do acarajé. levo meus cachorros e às vezes até cerveja, fico por bom tempo, como dois ou doze acarajés e me arranco. são paulo pode ser boa, desde que (bem) seja usada fora dos horários de pico. porque a vida é muito curta pra sair no sábado e quem anda com galera é adolescente.

acontece que naquela semana em especial as duas irmãs baianas insistiram pra eu não faltar, pois mainha vai fazer buchada. temeroso com a possibilidade de não comer o sagrado acarajé (esse que custa apenas 16, mas vale muito mais), fui meio ressabiado e já cheguei pedindo o salgado, pra me garantir. porque tem comida que dificilmente dá certo fora de casa.

a não ser que seja comida autêntica de mãe ou, no caso, de mainha.

como bode bom é coisa rara por aqui, mainha acabou me ganhando com duas preferências, ao rechear um bucho bovino com formidável sarapatel de porco. delicado, pungente e delicioso. coisa finíssima. se interessar, ideal é efetuar o pedido com cerca de 5 dias de antecedência, pra dar tempo das baianas irem atrás dos ingredientes.

de maneira que esse breve texto existe para indicar a encomenda desses dois grandes buchos, o do conceição e o do tabuleiro. pro contato dos dois estabelecimentos, google. mas espero de coração que quem seja de miúdo aproveite a indicação.

palavra de bucheiro.

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