peppino bar

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fabio la pietra e rodolfo di santis são dois jovens italianos, ambos ambiciosos e talentosos. com um investidor, abriram um bonito bar novinho em folha naquele bairro meio playboy, pelo qual não nutro a menor simpatia.

na real o que me incomoda mesmo são as pessoas que frequentam o bairro, armadas com seus sorrisos plásticos e empunhando taças de aperol spritz, que não é nada mais que o novo cosmopolitan.

então se esses jovens me perguntassem onde eu acho legal abrir um bar, diria pra vir aqui pro centro. porque a consagração da super nova casa do porco prova a todos que tem pra todo mundo, que o lucro pode ser buscado de uma forma que pode ir além da sonolenta receita jardins/itaim.

acontece que os italianos não são os donos do dinheiro e arrisco dizer também que não pediriam indicações de ponto comercial para esse ser de meia idade que vos escreve. é preciso reconhecer que meu quarto de século já passou. aliás, tempo mal utilizado da porra.

pra ser justo, curiosamente foi no mesmo itaim bibi que existiu por anos um lugar que mudou o rumo da coquetelaria no brasil, o saudoso myny bar. e o peppino apresenta insuportável lotação desde sua abertura, o que prova mais uma vez que eu não passo de um reles sommelier de fracassos.

agora, ao que interessa. o bar presta? vale tirar o passaporte da gaveta pra visitar o vilarejo?

bom, manja aquela regra que eu sempre lembro que tem que ir aos lugares de sucesso fora do horário de pico? pois aqui ela deve ser levada a sério, se quiser pegar um bom lugar no confortável balcão, pois a bagaça tem lotado mesmo. então, se quiser conferir, sugiro a ida numa segunda ou terça, por volta das 19h. o que pode ser um problema razoável pra quem não trabalha ou mora na província.

drinks impecáveis são produzidos por uma equipe que já se mostra afiada e muito bem conduzida por la pietra, que não é de hoje que mostra ser um grande líder. quem se lembra do esplêndido trabalho realizado por ele no subastor pode constatar isso.

da ótima carta, indico o cítrico bobby de niro e o bárbaro negroni feito no aeropress, com 3 gramas de pó de bom café moído na hora do pedido. se preferir algo mais clássico, pode pedir também que não tem erro. meu único porém é a cachaça da casa ser a macumba pra turista denominada como yaguara. acho que um bar classudo desses poderia e deveria tratar com mais carinho tão querido patrimônio etílico brasileiro. pra esquecer disso, encare o toronto #2, pois o mesmo vale bem a pena. e ainda tem o meu preferido, mas esse deve ser pedido direto pro chefe do bar, por estar fora da carta. nele vai amaros, vermouths e peychaud’s; fabio pensou em batiza-lo de algo parecido com cariño julinho, mas pedi pra ele colocar outro nome, pra eu não morrer de vergonha. espero que entre logo no cardápio, pra todos beberem, inclusive os mais tímidos.

já a comida mostra um rodolfo di santis mais à vontade que no restaurante de sua propriedade, na rua de trás, onde eu ainda vejo certa insegurança (mas, como o lugar tem sucesso inquestionável, aqui ressalto que não sou parâmetro comercial pra porra nenhuma). indico o tartare de beterraba, o milanesa de língua e a focaccia com batata, mortadela e taleggio. mas, se a sede for maior que a fome, bem cortado san danielle resolve direito a parada. confesso que essa última opção descrita é uma das minhas comidas de bar preferidas em todos os tempos. difícil bater um bom presunto. já o penne alla vodka é bem alcoólico e pode ser trocado por mais um drink, um pegu club, por exemplo.

os preços, por enquanto, são mais que acessíveis, chegam a ser camaradas mesmo, ainda mais se considerarmos o alto custo da operação de uma casa desse porte. coquetelaria de alto nível por preço único de 29 e várias comidas por menos de 30. espero que não seja estratégia de abertura e que o enorme movimento permita que a filosofia de precificação simpaticona assim siga por muito tempo.

de maneira que, se você conseguir ir no horário adequado e gostar de bons drinks, o peppino bar vale a ida à chácara itaim bibi, sim.

quanto às pessoas ao redor, é só ignorar, ou olhar o rolê com visão antropológica, o que pode deixar a experiência ainda mais divertida.

parabéns e boa fortuna, fabio e rodolfo!

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