o albergue

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o calor camusiano que empesteia o ambiente me levou a procurar por uma bebida antes mesmo de achar meu lugar na espera do enorme hostel onde caberia pelo menos mais dois aparelhos de ar condicionado.

a rasa oferta cervejeira (heineken long néti e chopp gordelícia) me levou à sessão de coquetéis. infelizmente o americano pedido veio com gelo tão ordinário quanto o usado em inúmeros exemplos de restauração do século passado. em um bairro tão legal, foi lastimável começar a experiência de maneira tão datada. e o negroni do meu amigo estava aguado. seria menos importante se a bebida saísse por um preço paramount, não por antipáticos 25 cannoli.

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primeira entrada, linguiça artesanal. o fato dela ter sido cozida em baixa temperatura – conforme exibido no cardápio- antes de ir à grelha deixou o embutido com textura de salsichão, o que é uma pena e demonstra insegurança do proprietário, esse que manda mó bem em uma pizzaria no mesmo bairro.

segunda entrada, frango à passarinho com empanamento mais desnecessário que o terceiro guitarrista do iron maiden. que o tempo mostre à casa que um clássico bem feito quase sempre tem mais valor que invencionices que fazem menos sentido que um novo disco do criolo.

já que as cervejas à disposição não me interessavam e os coquetéis se revelaram intragáveis, pedi um vinho branco que poderia estar melhor, se servido em temperatura adequada. ao solicitar um balde com gelo à garçonete, a mesma me informou que esse vinho em específico não é mantido muito gelado mesmo. repliquei que a garrafa estava quente, no que ela logo voltou com o balde com mais água que gelo, o que fez com que a bebida chegasse à sua forma ideal apenas depois do almoço.

como principal, um clássico bolognesa, com massa artesanal, em generosa porção que pode ser dividida, apesar de ninguém avisar. massa passada do ponto e ressecada, com pesada fonduta de queijo meia cura. ora, bolas. se essa é a – tão anunciada pela casa à imprensa – homenagem aos imigrantes, imagino só como seria uma ofensa.

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a enorme sobremesa ilustrada logo acima trata-se de uma instalação modernista de mousse de chocolate, esse que se sairia melhor só que mal acompanhado. a sábia regra de que menos é mais não tem vez entre os hospedeiros.

pra fechar, o ótimo café tirou um pouco do peso da má experiência de quase 400 juventus para 2 pessoas, com vinho nacional e pratos compartilhados.

se voltaria? olha, sou da opinião de que é preciso devolver a mooca aos moradores e que precisamos deixar de superestimar lugares simples. mas a refeição descrita acima não foi das piores da vida e achei o restaurante promissor, apesar dos erros grotescos e amadores.

então, que tal começar as melhorias pela instalação de mais aparelhos de ar condicionado?

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