telma

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o a1 foi um dos izakayas mais legais que já frequentei. No subsolo de um shopping mequetrefe na paulista, na mesma loja onde antes existiu o mítico komazushi, mestre shin koike servia rabada com ponzu, sashimi de cavalo e outros rangos da hora. com a reforma do shopping, o boteco fechou em 2008. encerrar as atividades no auge é privilégio de poucas mentes brilhantes.

boa cuca que tinha aberto no ano anterior um elegante restaurante, que chamava a atenção pela primorosa comida e também por já não servir salmão de cativeiro, numa época em que poucos sabiam que esse peixe era uma espécie de gelatina transgênica sabor fanta laranja. aliás, até hoje, pouquíssimos endereços nipoulistanos nã0 o servem. inclusive lugares caríssimos o vendem. exemplos: shin zushi e kinoshita.

desde a inauguração, dez honrosos anos se passaram. shin koike saiu da casa e sua discreta sócia saiu dos bastidores para assumir a cozinha e continuar a escrever a história do restaurante, com talento e determinação. permanecer tanto tempo aberto em são paulo é tarefa árdua e rara, ainda mais pegando o bastão de um antecessor desse porte.

mas telma shiraishi conseguiu não apenas manter a regularidade do serviço, como teve a decência de contratar uma competente chefe confeiteira, elevando assim o nível da restauração da casa.

embora a culinária japonesa seja de longe a minha preferida, hoje tomo devido cuidado pra fazer recomendações, pelo fato de nem todos interessados terem intimidade com a imensa série de etiquetas necessárias para comer bem. a grande maioria dos japoneses simplesmente não atende a todos de maneira igual.

isso não ocorre no aizomê, restaurante japonês contemporâneo com operação de perfil clássico ocidental, com carta de vinhos, serviço de reservas, etc. claro que a regra de ir no máximo em duas pessoas e sentar no balcão ajuda bastante o comensal a ter experiência mais agradável, embora exista salas privadas que podem servir também para uma reunião de negócios.

me sentei nesse balcão por duas vezes nos últimos dez dias, almoço e jantar. a influência francesa de shin koike – que tem conhecimento gastronômico nessa vertente  – continua lá, em pratos como o filet com foie gras e alguns pratos de autor da nova chefe também acrescentam um tanto. mas o que me faria voltar é o sukiyaki servido à noite, o mais gostoso que já provei. e a parte fria continua competente, com destaque para os cortes de sashimi, respeitando o corte de cada peixe. minha única ressalva é o shari do sushi, que já teve dias melhores e menos gelados.

o generoso omakasê mais caro do aizomê custa 210 gaijins e os bons moços do balcão frio sempre perguntam se você quer mais alguma coisa. menos caro e melhor que a maior parte de sua acirrada concorrência. como saquê ficou com um preço absurdo no brasil e a oferta de shochus da casa é ridícula, bebi um ótimo riesling, que aliás é uma das minhas harmonizações preferidas com sushi, esse que não tem nada a ver com saquê. arroz com arroz não rola, pelo menos pra mim.

no almoço gasta-se bem menos, pra quem não estiver disposto a investir tanto. e come-se bem, claro.

2017 também é o ano em que completo dez anos de publicações gastronômicas. entre erros, acertos, derrotas e fracassos é um prazer enorme continuar recomendando pelo menos um mesmo lugar que manteve o tão difícil padrão de excelência.

parabéns e obrigado, telma.

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