decadência

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meu nome é júlio bernardo e empreendi meu primeiro negócio no ramo alimentício há exatas três décadas, quando tinha 13 anos. desde então muita coisa aconteceu, desde pequenas derrotas até grandes fracassos que me enchem de orgulho. porém nunca estive tão fudido. e isso não é queixa, mas mera constatação.

a coisa da escrita é relativamente nova. encerrei meu antigo blog no auge e hoje cumpro expediente aqui nesse abandonado hospício, num total de dez anos criando conteúdo, também no youtube e onde mais me chamarem, desde que não tenha que fazer merchan de marca vagabunda, pois sou homem honrado.

acontece que a falta de merchan empaca a produção de material. o projeto de construção desse famigerado edifício mesmo, por exemplo, inclui notáveis colunistas que não cobro por vergonha, já que não tenho como remunera-los. algo parecido ocorre com o canal no youtube.

enquanto quero mais que a ambev vá pros quintos dos infernos a heineken nem sabe da minha parca existência e assim sigo pelo caminho da insignificância.

restaurante não quero ter nunca mais, já bar talvez eu ainda tenha algo a oferecer à cidade. acontece que hoje tô meio duro e jamais fiz negócio com dinheiro dos outros. mas essa postagem é mais sobre a dificuldade em criar conteúdo e também uma satisfação que devo para a meia dúzia de leitores que insistem em acessar blogs e sites.

a real é que o mundo mudou e ninguém quer saber mais de resenhas gastronômicas. inclusive a nova geração se interessa mesmo é pelo porquê da comida existir, pelo politicamente correto, pelo planeta que insistem em querer salvar.

sou homem com valores do século passado, aquele que se importa mais com a qualidade do tabule do que com a história do refugiado sírio que não sabe cozinhar direito. fora de moda eu, né? juliana cunha venceu.

pra mim nada vale mais que a contemplação de um velho balcão de bar sem gincanas de gim tônicas e com uma bela terrine feita à moda antiga, pra acompanhar boa bebida, que pode ser até uma bela cerveja.

outro dia alguém me perguntou se iria a uma tal churrascada. o fato do curioso em questão não ter a mínima ideia do quanto odeio esse tipo de festival diz bem sobre como não me tornei referência na área em que teimo em atuar.

a literatura também anda meio devagar. meu primeiro livro não vendeu bem e a companhia das letras não quer me ver nem pintado de antônio prata. tenho um segundo pronto que um editor kamikaze insiste em lança-lo em novembro, o que torço para que seja feito. e pro ano que vem tem mais dois em linha de produção, sabe-se lá diabos pra quem.

quer dizer, isso se eu conseguir termina-los, pois tenho esquecido cada vez mais as palavras do meu já tão limitado vocabulário. mas a probabilidade de finalização desses trampos até que é positiva, pois a maldita doença degenerativa que me consome tem me dado certa trégua nos últimos meses, apesar da fadiga que esse tempo seco do caralho me causa.

então, pessoal. isso não é uma despedida e ainda estou por aqui, ok?

só peço um pouco de paciência pra me reorganizar e, quem sabe, me reinventar pela última vez.

juro que assim que tiver algo de relevante pra contar eu volto.

pra baixo e avante!

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