pague para comer, reze para sair

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assim que subi a escada e adentrei o salão da mais nova casa coxipster da cidade a sensação foi a de mergulhar num radinho de pilha, de tão agudo que soava o rock tiozão do café piu piu que saía das caixas de som mequetrefe espalhadas pelo pretensioso e pouco convincente espaço sujinho asséptico.

com mais três vítimas pessoas instaladas em uma mesa com exclusiva jacuzzi da água que escorria do ar condicionado pedimos dois drinks e dois chopps, que buscarei descrever brevemente aqui nesse parágrafo. embora o primeiro gole do ny sour até tenha descido bem, o gelo de máquina de segunda categoria causou um efeito cristo bizarro, transformando vinho em água a toque de mágica. já o outro coquetel apresentou-se como uma catástrofe de proporções bíblicas e a ele chamam de smoked boulevardier, show de desequilíbrio e defumação em excesso. já os dois caríssimos chopps  (brooklyn por 32 lavajatos) chegaram à mesa cascata bem diferentes – um com creme e outro sem – talvez para estimular a disputa entre amigos, numa curiosa espécie de tosco entretenimento.

entradas. a carne cruda cortada de maneira mais grosseira que o linguajar de henrique fogaça, temperada com excesso de endro e servida em temperatura que me remeteu a contaminação cruzada acompanhou uma burrata mais sem graça que o novo álbum dos tribalistas, esses que por sua vez não deveriam existir, mas esse é outro assunto.

quem não sabe o fazer o clássico, inventa. e é esse o tom de todo cardápio da casa,  que passa pelo sanduíche de pastrami que traz DENTRO dele um inusitado picles de pepino nadando na indigesta maionese de mostarda. claro que por 40 geddels espera-se um pouco mais, mas talvez eu seja apenas um lunático sem noção, tamanha a felicidade das pessoas em minha volta. plastic people, assim definiria frank zappa.

de que adianta fermentar a massa de pizza por 48 horas – conforme a informação exibida no cardápio – se não a assa direito? isso pra não adentrar em detalhes sórdidos sobre o molho de tomate aziático, fiel companheiro cuja lembrança ainda queima meu estômago enquanto escrevo essas parcas letras, horas depois do desagradabilíssimo jantar.

a mousse de chocolate com SPRAY DE BOURBON ficou pra próxima, porquê quando uma casa erra tanto nas entradas e principais não merece o crédito da sobremesa, ainda mais se ela for bem esquisita. mas cometi o amadorismo de pedir o café espresso, meia boca e frio. curioso como um lugar com esse nome trabalha com temperatura inadequada em praticamente todos os itens servidos.

o forno do tinhoso só não é a pior inauguração dos últimos anos porquê existe um troço chamado kød, perdão pela amarga lembrança.

mas também, o que diabos esperar dos donos da abominável holy burger das neves? será que, por ter insistido na visita, o cabaço sou eu?

porquê demoramos mais de uma hora pra entrar no começo de noite de uma terça-feira. e nos horários de pico a espera é ainda mais demorada, óbvio. fato é que jamais entenderei o gosto de tantos por produtos muito ruins.

é como se o paris 6 ganhasse uma partida por dia.

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