ocupação gorfeu

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a grande maioria das pessoas que conheço pouco se importa com comida e bebida e nem é esse o ponto da postagem. o grande problema é todo um mercado que vive às custas da falta de parâmetro dessa demanda. falo aqui de gente que poderia ter um mínimo de consciência e oferecer ao menos um produto médio e ganhar o seu da mesma forma. aliás, quando se toma cuidado com o que se vende, o lucro costuma ser maior.

fui uma vez só na casa que se autointitula como churrasco bar com a inocente esperança de um almoço merdiano, daqueles que logo saem da cabeça etc e tal. acontece que a experiência foi inesquecível, no pior sentido da expressão. a ponto de fazer eu voltar a essa tão largada edificação com público cada vez mais ausente, tal como um prédio abandonado.

sim, já faz meses que fui nesse lugar onde dificilmente voltarei, mas preciso desovar essa experiência de alguma forma, exorcizar os demônios de são risal. sei que muitos não se incomodarão em ser apresentados aos fantasmas desse maldito almoço.

sempre que a expectativa é muito baixa deve-se pedir algo bem simples e que tenha cara de carro chefe da casa. fui de bife com farofa. carne cujo gosto me remeteu a salitre me acompanhou por dias e a farofa tinha sabor de tempero pronto, daqueles que nem almoço mequetrefe do itaim bibi usa mais.

aliás, o gorfeu é meio como uma embaixada do itaim em pleno centro da cidade. não o itaim de alguns raros restaurantes aceitáveis, nem o de antigos moradores que ainda se lembram da chácara do seo leopoldo couto magalhães, mas o itaim da vaca véia, da galera cheia de dentes que curte tomar uma stellinha na calçada enquanto se azara, dando show de antropofagia leite com pêra.

falando em álcool, se você quiser escapar das cervejas ordinárias, pode-se optar entre uma dose de seagers ou de orloff no morpheu. esses restauradores são ou não são uma gracinha de nosso senhor jesus cristo rei?

quando se abre um bar com foco em grelha à carvão é razoável que as devidas providências de exaustão sejam tomadas. claro que isso não foi feito e o resultado é que pelo menos um bloco inteiro do copan sofra todos os dias com a fumaça de carne vagabunda que transforma o antes agradável corredor numa versão friboi do inferno. fumaça que sobe e defuma o espírito de oscar niemeyer.

passear com os cachorros? ainda dá, mas agora é preciso ter cuidado com os horários, devido ao vandalismo de alguns clientes que não pensam duas vezes em quebrar na calçada suas adoráveis longui nétis.

sei que existe uma balada em cima da pequena fábrica de horrores. andar que não tenho a menor vontade de conhecer, pois não respeito vendedor de comida que não respeita comida. além do mais sou de um tempo em que balada era sinônimo de música lenta, não de onde se chacoalha o esqueleto.

de sobremesa uma tentativa de mousse que se revelou como uma das piores coisas que já comi na vida, uma ofensa completa que ornou com o café de merda. claro que quem vende seagers jamais se importaria com o café.

o pedaço da centro onde moro é aquele que convive pacificamente com clássicos como o la casserole e boas novidades como o hot pork, mas também tem coisas como o motivo dessa postagem e o abominável mundo cão do olivier. é preciso estar atento às roubadas para fazer as escolhas mais espertas.

óbvio que você pode e deve ir onde quiser, pra tirar suas próprias conclusões. mas minha dica é não prestigiar quem não se importa contigo.

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