Sobre Madame A., a zeladora. Recolhendo lixo e ocultando cadáveres, sou eu a figura à espreita no elevador de serviço. Na confusão da troca de turnos, capaz de confundirem a janelinha do elevador com a treliça do confessionário. É aí que recolho os restos – uma receita de gim, de torta de frango, de cicuta, ou só um finzinho de acetona emprestado. Se cultivo violetas em potes de margarinas, também águo com esmero as ervas daninhas. Razão tinha Ataulfo: quem cuida da vida alheia da sua não pode cuidar. Meu gatos, ninguém alimenta. Por isso não saio nunca, nunca desse meu feudo, o Edifício Tristeza.

declaração de princípios

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Recolher o lixo de um prédio como o Edifício Tristeza pode ser uma aventura humana, demasiado humana. Para além da escatologia e dos tenros restos de humanidade que contam fisiologicamente detalhes da vida social desses seres a quem me coube zelar no fim da vida – fluxo intestinais, eventuais cópulas, refeições mais lautas – também […]